|
|
|||
|
||||
OverviewA Estética do Despojo e a Verdade da Fissura Há livros que se leem e livros que se atravessam como quem cruza uma fronteira sem documentos: com o pulso acelerado e os sentidos em alerta. ""Versos Inversos: Rachaduras na Fachada"" é um deles. Miguel Angel Dias não nos oferece uma coleção de poemas, mas um inventário do que resta quando as instituições desmoronam e sobra apenas a carne, o desejo e a memória. O Território como Destino A obra nasce em um lugar que é, em si mesmo, um poema: a fronteira entre Rivera e Livramento. Mas, para o autor, a fronteira não é um limite administrativo, é uma ontologia. É o ""Portunhol da alma"", esse espaço onde o espanhol da receita federal se rende ao português dos sentimentos. Ao escrever, Miguel habita essa hibridez, lembrando-nos de que a identidade não é um muro de pedra, mas um rio que flui, se suja e se purifica constantemente. A Fachada e a Carne O conceito central desta entrega é a tensão. Por um lado, a ""Fachada"" as fotos de igrejas imponentes no Brasil, Portugal e Espanha; estruturas que buscam projetar uma divindade estática e uma ordem eterna. Por outro, o ""Verso Inverso"" o comentário visceral que brota do chão. Onde a fachada oferece incenso, o verso responde com suor, com ""peixinhos mortos"", com o realismo escatológico de quem sabe que ""todos cagamos para baixo"". Miguel nos convida a olhar para a rachadura não como um defeito da construção, mas como o único lugar por onde a verdade pode espiar. Dessacralizar para Humanizar A pena de Miguel Angel é uma ferramenta de demolição necessária. Ao converter Cristo em um homem que desenha peixes diante do ""Fundo Monetário Romano"", ou ao comparar os conquistadores a centauros que ainda hoje habitam os semáforos de uma Venezuela em chamas, o autor dessacraliza o poder. Sua crítica não é apenas religiosa, é profundamente social e política. Ela nos fala da ""geografia da puta que pariu"", da história extraoficial e de uma civilização que saiu das cavernas apenas para nos ""enclausurar"" no isolamento digital e na indiferença. A Esperança como Resistência No entanto, entre o ""cocô latino"" e o ""caviar russo"", entre os antidepressivos e a queda livre a 9,8 m/s ao quadrado, sobrevive algo inegociável. A poesia de Miguel é, em última instância, um ato de fé profana. Como bem conclui em seu percurso pelos templos, talvez Deus não esteja no altar, nem no hospital, nem no cemitério. Mas o que realmente importa não é o encontro, e sim a busca. Essa ""eterna esperança"" que nos faz disparar a câmera, servir outro mate e buscar no corpo do outro - em sua ""arquitetura de alma"" - um refúgio contra a intempérie do mundo. Esta é uma obra poderosa. A poesia de Miguel Angel Dias corta como uma faca e, ao mesmo tempo, acolhe como o suor de um abraço. Ele trabalha na ""fissura"" - o espaço exato onde a perfeição da pedra (a instituição) racha para revelar a carne (a humanidade). Full Product DetailsAuthor: Miguel Angel Dias Dos SantosPublisher: Independently Published Imprint: Independently Published Dimensions: Width: 12.70cm , Height: 0.60cm , Length: 20.30cm Weight: 0.109kg ISBN: 9798248827404Pages: 104 Publication Date: 18 February 2026 Audience: General/trade , General Format: Paperback Publisher's Status: Active Availability: Available To Order We have confirmation that this item is in stock with the supplier. It will be ordered in for you and dispatched immediately. Language: Portuguese Table of ContentsReviewsAuthor InformationTab Content 6Author Website:Countries AvailableAll regions |
||||